Minha riqueza foi para cadeia

Vemos na foto Adriana Ancelmo, primeira-dama do Estado do Rio de Janeiro, no desfile das escolas de samba do Grupo Especial em 2009. A consorte do governador posa de grande senhora da alta sociedade carioca, toda enfeitada com roupas e joias caras, que segundo a polícia federal, foram fruto de lavagem de dinheiro, ou seja, roubadas. A mulher do ex-governador é suspeita de ser beneficiária do esquema criminoso organizado pelo seu marido.

Só na joalheria Antônio Bernardo, Ancelmo totalizou R$ 5,7 milhões em compras de colares, alianças, pulseiras, pingentes, cordões e pares de brinco como o de turmalina paraíba, com diamantes de R$ 612 mil. Compraram 318 joias da grife.

Há comprovantes de pagamentos de US$ 30 mil nas lojas Van Cleef & Arpels de Connecticut e outros US$ 10 mil na Christian Dior, em Nova York. Apenas 40 peças , avaliadas em R$ 2 milhões, foram encontradas no cofre do quarto do casal, durante a operação Calicute, em meados de novembro, fato que levará a responder por crime de ocultação de patrimônio.

Semanalmente, todas as sextas-feiras, Adriana recebia uma mochila cheia de dinheiro. Os valores variavam entre R$ 200 mil e 300 mil. Eram propinas pagas à organização criminosa comandada por seu marido. Sônia Baptista, ex-secretária de Cabral, contou a polícia que as despesas corriqueiras do apartamento da família no Leblon consumiam 220 000 reais por mês.

Felizmente a grande maioria dos que frequentam as arquibancadas do sambódromo é de pessoas honestas. A massa dos que lotam a Sapucaí são cidadãos que ao longo do ano, estudam em escolas abandonadas pelo poder público, utilizam o péssimo serviço de transporte oferecido na cidade, padecem em filas de atendimento nos hospitais estaduais. Hospitais sucateados pelos mesmos governantes que agora estão sendo recolhidos às unidades carcerárias, igualmente abandonadas.

Minha riqueza, era assim que Sergio Cabral a chamava, foi presa em 6 de dezembro de 2016.Foi encaminhada para ala feminina do presídio Joaquim Ferreira, no complexo penitenciário Bangu 8, onde o marido divide cela com outros cinco presos.

No dia da prisão a Polícia Federal apreendeu mais 60 joias e R$ 53 mil em dinheiro vivo. A fatura do cartão de crédito do mês de agosto, apreendida no escritório de Adriana aponta que gastou R$ 92 mil apenas em despesas em hospedagem em um hotel em Londres. A ex-primeira-dama viajou 60 vezes ao exterior, em sete anos.

De acordo com agentes da penitenciária, quando a cela se fechou, Adriana gritou, em tom de raiva:` Eu disse que isso um dia ia acontecer`.

Adriana passou à prisão domiciliar em março de 2017. Ela recebeu o beneficio do juiz Marcelo Bretas, porque seu filho mais novo com Cabral tem menos de doze anos.

No dia 23 de novembro de 2017, Adriana, teve a sua prisão domiciliar revogada pelo Tribunal regional Federal da 2ª Região. Ela foi para ala feminina da cadeia pública da cadeia feminina de Benfica, a mesma em que está presa a ex-governadora Rosinha Garotinho.

A procuradora regional Monica de Ré sustentou à justiça que a prisão domiciliar de Adriana representava enorme quebra de isonomia `em um universo de milhares de mães presas no sistema penitenciário que não contam com o mesmo beneficio.

Para os procuradores, a prisão preventiva era necessária porque a liberdade torna altamente provável a continuidade da ocultação de patrimônio obtido ilicitamente.

A foto, de Alexandre Cassiano, flagra um falso momento de luxo de uma socialite equivocada. Elegância e requinte não podem ser medidos por grifes e joias caras. A verdadeira riqueza desfila todos os anos na passarela: gente pobre, humilde, sofrida, mas com um tesouro intransferível, dentro de si,a alegria.

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