A genitália desnuda que quase derrubou um presidente

Nunca se sabe como pode acabar um governo em Pindorama! Muitas vezes um presidente nem toma posse: Rodrigues Alves e Tancredo Neves foram eleitos mas morreram antes de assumir! Afonso Pena, menos ousado, morreu durante o mandato. Enquanto Deodoro foi forçado a renunciar por medir forças com fazendeiros de café, Jânio Quadros alegou que forças ocultas o fizeram desistir do cargo. Outro que também renunciou foi Getúlio. Voltou ao poder nos braços do povo, mas saiu dele de forma dramática: se suicidou! Washington Luiz e João Goulart caíram motivados por golpes que se diziam revoluções. Collor sofreu um impeachment e a presidente Dilma outro.

O substituto do Collor , Itamar Franco, por muito pouco não deu motivo para acrescentamos a essa lista uma motivação inusitada: um presidente ser derrubado por uma genitália desnuda.

No carnaval de 1994, Itamar veio assistir ao desfile das escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro. “O último presidente a ir a um desfile e a ficar ao lado do povo foi Hermes da Fonseca, que esteve num entrudo em 1913”, disse o presidente aos amigos.

Desimpedido, pois era divorciado, encantou-se por uma modelo cearense, que brilhava fantasiada de Princesa da Pérsia, num carro alegórico da escola de samba Viradouro. A única infanta com os peitos (96 centímetros) à mostra! Era Lilian Ramos.

A musa foi levada pelo deputado Valdemar de Costa Neto, líder do PL na câmara, para o camarote presidencial. Vestia apenas um camisão! No mais estava como viera ao mundo. Desavisado, Itamar deixou-se fotografar debaixo para cima ao lado da acompanhante, sem saber que a perspectiva do click exibia a genitália desnuda da consorte. A imagem correu o mundo. Infelizmente para ambos, as cenas do camarote provocaram inquietações nos quartéis.

Em recente publicação do terceiro volume dos Diários da Presidência o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirma que, por causa do episódio, ele foi procurado pelo general Romildo Canhin, então ministro da secretaria de Administração Federal. O general contou que os chefes militares se reuniram e queriam saber se FHC aceitaria continuar no Ministério da Fazenda, caso houvesse substituição do presidente da república. O ministro Cardoso contava com um imenso prestígio por ser o responsável pela elaboração do Plano Real .

Pela Constituição, o presidente da República é o comandante em chefe das forças armadas. E os ministros fardados avaliavam que , depois de posar em público ao lado de uma genitália sem camuflagem, esse preceito constitucional parecia revogado. Para eles a dignidade do cargo do presidente fora, por assim dizer, carnavalizada. Os ministros discutiram a sério a possibilidade de substituição do presidente.

A revista Veja(edição 2523) publicou em sequência a citação do ex-presidente: O general Canhin faleceu em 2006. Seu filho Marcelo Canhim diz que nunca ouviu do pai comentário sobre o assunto. ” Não estou desmentindo Fernando Henrique que era muito próximo de meu pai. O que posso assegurar é que meu pai saiu com muita admiração por Itamar.”

O ex-senador Pedro Simon também reagiu: — Nunca ouvi falar nisso. Fui líder do governo o tempo todo. Em que momento aconteceu isso? — questiona Simon.

A turbulência durou algumas semanas, mas foi esquecida quando, cinco meses depois, Itamar lançou o plano econômico, o Plano Real, o mais bem-sucedido plano de controle inflacionário da Nova República. O sucesso da implantação do Plano gerou uma controvertida disputa pela sua paternidade.

Fernando Henrique também publicou no seu diário que o Itamar tinha colocado obstáculos à implantação do Plano Real.

O ex-senador Pedro Simon nega que ele tenha colocado obstáculos à implantação do Plano Real, como FH dá a entender no livro. O tucano era ministro da Fazenda, na época.

— Da onde ele tirou isso? Onde tem uma palavra do Itamar contra o Plano Real? O Fernando Henrique é um brilhante sociólogo e nunca foi economista. Teve o mérito de coordenar os economistas. Daí dizer que o Itamar não conhecia o plano, que não leu, é querer desmerecer. Foi o Itamar que determinou que as coisas acontecessem — diz o ex-senador.

O Presidente de Juiz de Fora terminou seu mandato com grande índice de popularidade. Elegeu seu sucessor, o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso (1994). Morreu, aos 81 anos, vítima de um AVC, em 2011. Lilian Ramos vive há vinte anos na Itália. Participa de programas de auditório e gravou um CD com baladas românticas.

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