Luiz Melodia, o poeta do Estácio

… “Palmeira do Mangue não nasce na areia de Copacabana”… já afirmava Noel Rosa. Talvez um substrato fertilíssimo vindo do canal que capta o esgoto dos bairros circunvizinhos, ou da antiga zona de meretrício, também conhecida pelo mesmo nome explique a força dessas palmeiras. Ou quem sabe a forte herança cultural dos primeiros moradores do centro do Rio de Janeiro, desalojados pela política higienista do prefeito Pereira Passos, para morros, como o de São Carlos? Ou para pioneiros conjuntos habitacionais como o ainda de pé da rua Salvador de Sá?

Teria sido a energia dos baianos e baianas que criaram o samba a partir de suas batucadas na limítrofe Praça Onze?

Não se sabe ao certo o porquê desse pequeno bairro do centro do Rio de Janeiro ser o celeiro de bambas da música e da poesia. Todos inventando e reinventando a batida perfeita. O morro de São Carlos/Estácio que nos deu a primeira escola de samba, também nos legou Ismael Silva, Moreira da Silva, Ângela Maria, Dominguinhos do Estácio, Gonzaguinha, Luiz Melodia, que com sua sensibilidade sofisticada, através de construções poéticas de extrema complexidade, traduziu, como ninguém, de forma amorosa a gratidão pelo seu bairro de origem: “Se alguém quer matar-me de amor/Que me mate no Estácio/Bem no compasso, bem junto ao passo/Do passista da escola de samba/Do Largo do Estácio. ”

Velado na sede da sua escola de coração e enterrado no cemitério do bairro irmão, Catumbi, Luiz Melodia não nasceu na areia de Copacabana, mas no Estácio, território fértil e inspirador. Suas belas canções fazem parte da história do nosso cancioneiro popular.

Como diria o poeta: “Arranje algum sangue, escreva num pano”: Melodia Vive.

Comentários

Comentários