Rogéria – Se eu não achar um caminho, eu faço um

Numa recente polêmica o cantor Johnny Hooker criticou a seguinte afirmação feita por Ney Matogrosso: ‘Que gay o caralho, eu sou um ser humano’. Para o Johnny “É inconcebível a afirmação feita por Ney Matogrosso, no país que mais mata LGBTs do MUNDO(!!)”.

Hooker pode discordar e argumentar o que quiser. O que falou, inclusive, faz bastante sentido. Entretanto, a carreira do hipster cantor pernambucano não o o credencia a antagonista de alguém que lhe abriu o caminho.

Ney além de excelente cantor, construiu uma carreira em tempos difíceis e resiste a passagem do tempo devido ao seu incontestável talento. Hooker ainda não disse a que veio.

Rogéria foi outra que pavimentou uma estrada de possibilidades. Se hoje nosso país se destaca pela violência contra membros da comunidade homossexual, imagine nos anos sessenta e setenta do século passado.

A Marylin gay atuou no primeiro espetáculo de travestis, çles girlsç encenado no nosso país. “Ser mulher é muito fácil para quem já é/mas para quem nasce para ser João e um sacrifício a transformação, dizia uma das músicas do espetáculo”. Filmou com grandes cineastas, Foi premiada por sua atuação no teatro com o Troféu Mambembe(um dos prêmios mais importantes do teatro na época) pela atuação na peça o “desembestado”, foi jurada em programa de auditório,“Cassino do Chacrinha” na época em que travesti na TV era uma novidade, enfim ocupou espaços.

Numa declaração parecida com a de Matogrosso, Rogéria afirmava: – “Engajada? ” Eu preciso ser engajada? Eu sou o engajamento em pessoa! Se as outras travestis estão aí, agradeçam a mim, que sou uma bandeira.

Liniker, Pablo Vittar, Hooker tem muito a aprender com aqueles que menos preocupados em construir uma imagem com declarações politicamente corretas experimentaram com valentia a solidão dos pioneiros.

Aos setenta e quatro anos, no dia 4 de setembro, morreu Rogéria.

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