O último baile de Maluf

Na foto publicada pela Manchete vemos o então prefeito, Paulo Salim, no III Baile de Gala do Teatro Municipal de São Paulo. Uma bela festa que à semelhança do que tradicionalmente acontecia no Municipal do Rio, contou com a presença de famosos: Joan Crawford estava em São Paulo para inaugurar mais uma fabrica da Pepsi, empresa da qual foi presidente mundial, e Alberto Sordi, o comediante italiano, também prestigiava o evento.

Diz no texto da revista que “o prefeito e Sra. Maluf também participaram da festa até o seu final”. Um glamoroso início de carreira para o político que ascendia rapidamente apadrinhado por demagogos e militares. Trajetória que será marcada por denúncias de corrupção.

Antes de ser prefeito, Maluf, em 1967, quando tinha 35 anos, assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal. Em 1969, com o apoio de Delfim Neto, foi nomeado prefeito de São Paulo pelo governador Abreu Sodré.

1970, seu primeiro ano de governo doou 25 Fuscas aos tricampeões da Copa. Foi processado sob a acusação de que a doação não atendia ao requisito de interesse social para poder ser bancada pelos cofres públicos. Após trinta e seis anos transitando pelos tribunais, em 2006 o processo teve fim e o ex-prefeito – adivinhem? foi absolvido pelo STF.

Durante os 21 anos em que os generais ditaram os destinos do país, Maluf sempre esteve no poder, além dos cargos citados, foi secretario dos Transportes na gestão de Laudo Natel e governador de São Paulo eleito indiretamente, em 1978.

Em 1985 perdeu a eleição presidencial indireta, para o tio de Aécio, Tancredo Neves.

Carreou seu “prestígio político ” para apoiar a candidatura de Jânio, para prefeito, em 1985. E, pasmem, fez uma aliança com o PT e apoiou Fernando Haddad, em 2012, para prefeitura de São Paulo.

Foi eleito por duas vezes o deputado federal mais votado do país, nas eleições de 1982 e 2006.

Durante todo esse tempo Maluf personificou a corrupção no Brasil. Seu nome, inclusive, foi incorporado aos dicionários como um novo verbo: “Malufar” que passou a significar roubar os cofres do Estado, ou simplesmente roubar.

O processo que levou Maluf para atrás da grades teve origem na sua passagem pela pela prefeitura de São Paulo nos anos noventa. Durante sua gestão foi acusado de desviar dinheiro das obras da avenida Água Espraiada (atual avenida Roberto Marinho), construída por um consórcio das empreiteiras OAS e Mendes Júnior.

Em 23 de maio de 2017 foi condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias em regime fechado pelo Supremo Tribunal Federal.

Aos 86 anos, Maluf tem câncer de próstata com metástase no sacro, incontinência urinária, cardiopatia, artéria coronária entupida, confusão mental, alterações de cognição, depressão, condição de cadeirante inclusive para necessidades básicas, anemia, broncopneumonia e hemorragia digestiva alta.

Levando em consideração o laudo assinado por cinco médicos do Hospital Sírio-Libanês, o ministro Fachin do STF determinou que o réu, “em caráter humanitário” deva cumprir a pena em seu próprio domicílio.

Tuberculosos, aidéticos, cardíacos lotam e morrem todos os dias nos nossos presídios sem que tenham acesso a um beneficio semelhante. Paulo Maluf foi condenado à liberdade. O último baile de Maluf será em sua confortável mansão nos Jardins.

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