Odile, uma vida só não basta

Odile que nasceu Bérard, mas escolheu ser Rodine, e depois Rubirosa, marinho, talvez Moss, e no final, voltou ao começo: Bérard de novo. Cada nome um ciclo de vida. Muitas vidas em uma só Odile.

O Rodin foi devido à beleza de seu corpo, comparado por escritores franceses dos anos 1950 às esculturas do mestre francês. Virou, por curto espaço de tempo o nome artístico.

Ela teve uma carreira curta, atuou em apenas dois filmes, A Mais Linda Vedete (Futures Vedettes, 1955), com Brigitte Bardot, e Se Paris Contasse… (Si Paris nous était conté, 1956), com Danielle Darrieux.

Logo, Odile abandonou a carreira de atriz para casar-se com Porfírio Rubirosa, aos 17 anos.

O “Casanova” da República Dominicana, não resisitiu a beleza da jovem francesa. Porfírio namorou nada menos que Marilyn Monroe, Ava Gardner, Rita Hayworth, Kim Novak, dentre muitas beldades do século passado.

Odile passa assinar, com o sobrenome, Rubirosa. Se torna, então, uma das maiores locomotivas do jet set internacional. Só para lebrar: Jet set (em inglês, literalmente, “conjunto de pessoas que se deslocam de avião a jato”). Milionários que cruzavam os oceanos em buscas de festas.

O Rio de Janeiro e seu glaumoroso carnaval fazia parte desse cirucuito. Em 1965, ela visita pela primeira vez a cidade, e diz em entrevista dada a revista “O Cruzeiro”, de 28 de março de 1973:

“Esta foi a segunda vez que passei o carnaval no Rio. A primeira foi com o meu marido. Há oito anos. Já havia gostado, mas agora gostei muito mais. Pude sentir melhor o carnaval brasileiro. Aliás, não se deve dizer carnaval brasileiro, porque só há mesmo um carnaval. O resto – o de Nice, Colônia e outros mais – simplesmente não existe. Onde já se viu tamanha loucura? Tenho dentro dos ouvidos os ruídos dos instrumentos de percussão…”

Porfírio, veio a falecer em julho do mesmo ano que esteve no Rio de Janeiro. Foi o primeiro carnaval de Odile e o último de Porfirio.

O segundo e definitivo contato da atriz francesa com os festejos carioca foi em 1973. É o reencontro com a cidade onde vai viver os seus próximos vinte anos.

Voltou ao Rio com tudo, desfilou pela primeira vez numa escola de samba, e afirmou: “…Desfilar na escola de samba foi uma glória. Achei os bailes formidáveis, mas nada igual à escola de samba. Desfilei na Portela porque fui convidada por ela. Não foi uma escolha minha. Aceitaria o convite de qualquer uma. Não tenho preferências. Minha preferência é pelo samba, de um modo geral. É uma loucura esse ritmo de vocês. Fala de Selva, de alguma coisa que corre no sangue. Tem a força da natividade. Dificilmente perderei, nos próximos anos, um carnaval aqui.”

A fantasia, uma ideia dela, era um pequeno biquíni azul, todo bordado de pedras e véus caindo pelos lados. Saiu na Ala dos Demolidores. Quebrou tudo! só deu ela.

No mesmo ano, a alegre viúva encontrou um novo amor nos trópicos, Paulo Marinho, corretor da bolsa, com quem veio a se casar. Paulo tinha 21 anos quando conheceu Odile, que aos 36 anos, ainda era estonteante. Odile passa assinar “Marinho”.

No final dos 80, já separada de Paulo, passou a viver num sítio em Visconde de Mauá. Casou-se, pela terceira vez, com um americano, James Moss, que conheceu no Rock in Rio em 1985.

Odile abriu uma casa de chás e passou a se dedicar a um novo hobby, a pintura. Passou a assinar seus quadroscom seu nome de solteira, Odile Bérard.

Em 1997, passou a viver reclusa, longe das badaloções, em uma cabana de madeira, em New Hampshire, nos Estados Unidos.

Em dezembro de 2018, Odile Bérard, morreu aos 81 anos, após passar três semanas internada numa clínica para tratamento de um câncer.

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