O teatro e o carnaval

Bailes, corsos,cordões sociedades, escolas de samba,o carnaval vai se reinventando com o passar do tempo.Uma das manifestações inaugurais dos festejos de momo em nossa cidade encontrou nos teatros o ambiente/contexto ideal para o seu desenvolvimento. O carnaval brasileiro e, principalmente o carioca, está intimamente ligado ao nosso teatro. No início do século XX muitas das músicas de carnaval que se tornavam populares partiam do teatro. Assim, em 1846, por iniciativa da atriz Clara del Mastro, pôde realizar-se, no Teatro S. Januário,  o primeiro baile à fantasia. Bailes de máscaras em teatros se multiplicaram.Na sequência, peças com temas ou com cenas de carnaval foram escritas, revistas carnavalescas, bailes das atrizes, bailes dos artistas, bailes em teatros (Municipal,São José,entre outros) fizeram parte da cena carnavalesca no último século.

Colombina iê-iê-iê

O belo da foto é o cantor e compositor Roberto Audi. Sucesso absoluto no carnaval de 1967 com a marchinha ` Colombina, onde vai você` de João Roberto Kelly e David Nasser. Repaginada, a velha conhecida personagem da commedia dell`arte, dançando iê-iê-iê não resiste aos encantos do seu trovador. Roberto Audi morreu em 1997 aos 63 anos.

A mulher e os peixes

O ano era 1973 e o Parque do Anhembi, em São Paulo,foi transformado no maior coreto do Brasil. E numa demonstração de que estavam dispostos a rivalizar com os cariocas, os paulistas atraíram os grandes nomes das passarelas para desfilarem em sua cidade, dando assim um caráter nacional à sua festa. Concorrendo com a fantasia Copacabana, Meu Amor,de Evandro de Castro Lima, Ana Maria Sagres,atriz da tv Tupi, não se classificou na categoria originalidade feminina.A fantasia era uma alegoria à famosa praia carioca, com tons quentes da própria paisagem do bairro. As calçadas são representadas na barra do vestido.As camadas seguintes da saia,subindo até a cintura, representam a areia o mar e as espumas.Na cabeça o sol de Copacabana.Muito originais os peixes de plásticos.Talvez uma referência à colônia de pescadores ainda existente no posto seis.

Luís XV, Bornay e o súdito

Revivendo carnavais antigos, a Mocidade Independente desfilou o enredo Rio de Zé Pereira. Resgatando os carnavais cariocas de 1880 (quando houve o último baile de máscaras do teatro São Pedro ) a 1914, a escola mostrou o entrudo, os ranchos, pierrôs, arlequins e colombinas. Damas, nobres e príncipes também não faltaram, revivendo bailes de máscaras. Clovis Bornay além de carnavalesco,foi um dos destaques da escola com sua fantasia de Luís XV.Muitas críticas foram feitas com relação à caracterização do soberano francês. Teria sido pela ausência da flor de liz, símbolo da dinastia francesa? Quem sabe a cruz dos templIários esteja no figurino errado?Os braços desnudos evidanciando o corpo enxuto do desfilante e não o corpo público do rei? O excesso de glamour? Ou será que Luís XV nunca teve um súdito tão belo como o da versão tupiniquim. Inveja, tudo inveja…..

Por onde anda Gigi?

Sob chuva fina num domingo de carnaval em 1973, defendiam com garra a permanência de sua agremiação no primeiro Grupo das escolas de samba do Rio de Janeiro, dentre muitas agremiações os componentes da Em Cima da Hora. Passistas, ritmistas  e Gigi. Baseado nos romances em versos cantados no Nordeste, o maior destaque da escola ,a fantasia de Gigi , talvez representasse o Pavão Misterioso , não sei . Estava mais para uma rainha , soberana e poderosa , com seu olhar docemente superior . Por anda Gigi ?

Alegria Transbordante

`Alô, alô, Taí Carmem Miranda`, foi o enredo preparado pelo carnavalesco Fernando Pinto para a Império Serrano, em 1972. Com oito quadros, sendo o mais luxuoso o que representava o antigo Cassino da Urca,a Império foi a primeira escola a homenagear a cantora.Marília Pêra levou todo o elenco da peça A Pequena Notável para o desfile. Além de Marília, Tânia Sher, Leila Diniz, Isabel Ribeiro, Miriam Pérsia,Rosemary e Olegária representaram Carmem. Marlene, animadíssima, puxou o samba da Escola.Impressiona o flagrante de alegria transbordante eternizado na foto.(foto sem crédito publicada na Revista Cruzeiro).

Mulatas da Portela

A abertura do desfile da Portela no carnaval de 1973 causou impacto. Além da águia em movimento, havia também uma novidade para época: comissão de frente composta por 15 mulatas selecionadas pelo clube Renascença e quase todas ex-misses daquele clube. Terceira escola a desfilar, a Portela apresentou-se depois da Unidos do Jacarezinho e da Tupi de Brás de Pina. O enredo, Pasárgada,o Amigo do Rei, inspirado no poema de Manuel Bandeira movimentou a escola. Sem dúvida as mulatas do Renascença devem ter levantado a Presidente Vargas!